Experiência de compra ainda é tida como diferencial

Experiência de compra ainda é tida como diferencial

Embora os conceitos de e-commerce e vendas pelas redes sociais estejam em alta, a loja física continua insubstituível em um quesito: geração de experiência. Não é por menos que poder tocar no produto é o motivo para que 79,6% das pessoas continuem frequentando esses locais, conforme a pesquisa desenvolvida pela ESPM-Sul. A dona da Oi Gracia, da Capital, Priscila Zanetti, 37 anos, vê esse fator como oportunidade e motivação para melhorar sua atuação no virtual.
“Somos uma marca bem analógica. Meu grande desafio é conseguir levar a experiência para o site, que funciona mais como uma vitrine do que canal de vendas. As pessoas olham ali e vem até a loja”, diz a publicitária e fundadora da marca.
Há seis anos na rua Fernandes Vieira, nº 629, no bairro Bom Fim, a Oi Gracia iniciou sua operação em loja física na Cidade Baixa, há sete anos. “Ficamos um ano com as duas lojas. Logo, começou a se falar em crise e decidimos enxugar antes que piorasse. Nosso nicho é muito pequeno, não tem necessidade de ter dois pontos em uma cidade como Porto Alegre”, pondera. Hoje, além da loja física, a marca conta com um e-commerce.
Estar situada em uma loja de rua em um bairro de grande fluxo de pedestres é um dos diferenciais da marca de vestidos. A produção das peças, conhecidas pelas suas estampas coloridas, começou em 2010. Priscila desejava ter um negócio criativo, mas não sabia em que ramo atuar. “Quando estava na faculdade, trabalhei em diversas áreas e nunca me encontrei. Fui passar um tempo em Barcelona, e Gracia é um bairro de lá”, conta. Desse período na Espanha, surgiu o empreendedorismo. “Engordei muito quando estava fora e passei a usar mais vestidos. Quando cheguei no Brasil, não encontrava lugar para comprar do jeito que eu gostava.”
As vendas iniciaram em bazares e para as amigas. Com pouco investimento inicial, a marca começou com tamanho único passíveis de ajuste por encomenda. A possibilidade de ter o modelo desejado em qualquer tamanho se tornou, justamente, a essência do negócio.
“A produção começou com tamanho único porque eu não tinha grana para comprar tecido suficiente para fazer uma grade. Preferia ter diversidade de modelos que ter muito estoque. As pessoas foram pedindo e, quando vi, virou um caminho, um diferencial.”
A cliente pode, ainda, encomendar sob medida sem custo adicional. A peça fica pronta em uma semana. “Temos bastante público que não se encontra na modelagem P, M, G, tanto para menor, quanto para a altura.”
Os modelos dos vestidos variam de acordo com a estação, mas o foco da marca são as estampas. Semanalmente, novas padronagens chegam às araras. Apenas 50 metros de tecido são usados de cada vez, em coleções divididas em torno de 12 modelos.
Além da possibilidade de acolher biotipos diversos, trabalhar dessa forma é, para Priscila, uma maneira de reinventar as peças junto com as clientes. “A pessoa fica com a opção de cocriar com a gente. Se não fizemos o modelo que ela quer em determinada estampa, ela pode fazer. Pode transformar em longo, por exemplo.”
Os itens levam o nome da primeira cliente que compra o modelo. “Temos uma cliente que toda coleção batiza um. Já tem vestido com todos apelidos dela, nome das irmãs”, diverte-se. A relação com as mulheres que procuram a loja é especial para Priscila. Ela conta que o grande objetivo da marca é recebê-las bem.
“Temos uma relação que é muito além de cliente e loja. Quando ela entra, a gente não cai em cima querendo vender. É como se estivéssemos recebendo a pessoa na nossa casa.”
Além de ser uma marca focada no consumo feminino, a Oi Gracia valoriza essa questão em toda a cadeia. “Trabalhamos só com mulheres como nossas fornecedoras. Até a nossa eletricista é mulher. Só não usamos do serviço de uma mulher quando não tem”, expõe. Prestes a completar 10 anos, Priscila pondera que ainda não é simples tocar o negócio.
“É difícil até hoje. Um dia de chuva, que não vai vender quase nada, já compromete um monte. Comecei a marca total sem investimento. Comprei o tecido, vendi, paguei o tecido. Mas a minha intenção não é só vender, é deixar a nossa cidade mais colorida.”
fonte: Jornal do Comércio