Retomar obras deve ser meta do novo presidente

Retomar obras deve ser meta do novo presidente

Os eleitores têm reclamado, na mídia, do excesso de acusações, muitas infundadas, entre os dois candidatos a presidente da República que disputarão o segundo turno no próximo dia 28 de outubro. Para alguns, assuntos importantes não têm merecido uma análise mais concreta dos presidenciáveis, no caso Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Pedem a conclusão de obras importantes que estão paralisadas, algumas delas há anos, cuja retomada geraria milhares de empregos. Dados do Ministério do Planejamento indicam que há R$ 132 bilhões em investimentos parados só na carteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ao todo, são 2.914 empreendimentos com problema. A principal razão para a paralisia, segundo o Ministério do Planejamento, é a fatla de verbas. Houve a interrupção de 294 obras que somam R$ 62,9 bilhões, dos quais parte já foi desembolsada antes de surgirem os problemas. A segunda maior causa de paralisação são problemas técnicos, como falhas na elaboração de projetos, que atingem 1.359 obras no valor total de R$ 25,5 bilhões. A cifra é elevada, mas ela se refere apenas a um conjunto: as obras do PAC executadas com recursos do Orçamento Geral da União. O universo de obras paradas no País é muito maior. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), são 7.400 obras espalhadas pelo Brasil que deveriam ser feitas com recursos federais que se encontram interrompidas. Pois agora, na reta final da campanha para ocupar o Palácio do Planalto, os dois candidatos acenam com a geração de empregos no curto prazo por meio da retomada de obras estagnadas. Ambos registraram que há mesmo milhares de obras que estão paradas. Jair Bolsonaro culpa ministérios e cargos distribuídos a partidos políticos em troca de apoio. Já o candidato Fernando Haddad coloca a retomada como uma medida emergencial. Ele quer dar prioridade àquelas que geram muito emprego, como o Minha Casa Minha Vida. O importante é que as obras sejam retomadas e concluídas e que o governo federal monte um planejamento sério e viável a fim de que elas tenham verbas garantidas para a sua conclusão o mais rápido possível. Hoje, por exemplo, uma rodovia é lançada num ano e, após, ninguém coloca nos orçamentos vindouros verbas para a sua continuidade. É um autêntico crime de lesa-pátria que não poderia acontecer, mas, sistematicamente, tem sido quase uma regra na União e mesmo em estados e municípios. Uma irresponsabilidade, uma prova de improbidade administrativa. Também há 83 obras do PAC paradas por disputas na Justiça. Na maior parte, são creches e pré-escolas cujas licitações foram questionadas nos tribunais. Há também as paralisadas por indício de crime. É o caso do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) entre Cuiabá e Várzea Grande (MT), obra prometida para ficar pronta antes da Copa de 2014, mas ainda não concluída. De acordo com o governo do estado, a obra estava orçada em R$ 1,447 bilhão e já foram gastos R$ 1,066 bilhão. O contrato com a construtora foi suspenso em 2017, após operação da Polícia Federal. Desta maneira, é mais do que importante que o futuro presidente reúna ministros, faça levantamento e reinicie todos os empreendimentos que estão parados. Será um primeiro e importante passo para gerar mais empregos, segundo as entidades da construção civil asseguram, pois abrirão postos de trabalho imediatamente.

 

Fonte- Jornal do Comércio 16/10/18